Segunda-feira, Dezembro 21, 2009

Natal é...

... escapulir-me do trabalho para ir fazer umas compras de última hora, enfrentar o caos desta Lisboa em hora de ponta e sobreviver ao buzinão que quase me ensurdecia porque a ambulância queria passar e ninguém se desviava. Finalmente, para alívio dos meus tímpanos, os condutores lá se aperceberam da coisa. Os condutores sim, mas os peões nem tanto: um tipo completamente atarantado pôs-se de plantão no meio da estrada, fazendo frente às sirenes! E como se isto não bastasse para perceber quão louca anda esta gente, no túnel de acesso ao metro o pedinte arremessa a caixa das esmolas contra a parede, e entre o telintar das moedas pelo chão, vocifera com uma pobre velha, como se ela fosse o diabo em pessoa. Já na carruagem, a senhora da frente vai tirando do saco plástico verde - qual mágico com a sua cartola - os boxers que comprou para o neto, o filho, o César e para o próprio marido que, sentado ao lado, fica lívido ao constatar o folclore a que as suas partes íntimas vão ter direito. Nas ruas e nas lojas, levo com encontrões, pisadelas e espirros, mas nem refilo. Já sabia ao que ia. Numa loja sem grande movimento, pergunto à empregada, recostada ao balcão, se tem a carteira da montra em preto. Enfadada, brinda-me com um ríspido "Não, só dessa cor". Contraponho: "Mas ali está também em bege" Resposta: "Pois, mas não é preta". WOW!! Pondero a minha prosseguição nesta tarefa, dado o inferno instalado. Enquanto decido, opto por um chocolate quente, que embora delicioso me queima a língua e o céu da boca. É uma espécie de prenúncio: agarro nos sacos e rumo a casa que, desconfio, é por este dias o único local de paz sobre a Terra. Àmen.

Segunda-feira, Dezembro 14, 2009

Facebook

Há meia dúzia de anos todos se espantavam por eu não ter uma conta no hi5, que acabei por abrir. Hoje, muitos me olham com a mesmíssima incredulidade quando digo que não tenho perfil no facebook. Num curto espaço de tempo proliferaram redes sociais para todos os gostos, e quem não tem um perfil numa delas é como quem não vê, como se cingisse a sua existência a este mundo real e renegasse uma vida para além desta. Uma rede social tornou-se uma extensão daquilo que somos e se não temos uma, então é porque não "somos". Por tudo isto (e sobretudo porque me senti um ET no almoço deste fim de semana), uma das resoluções de Ano Novo passa por abrir uma conta em tão afamada rede social. Para me conectar com amigos e partilhar uns bitaites, pouco mais. Não há cá nada de Farmville's, de grupos (irritantemente) do Contra (contra a publicidade do Pingo Doce, a Popota e a Leopoldina , etc.. oh God!), quizz's disparatados e afins.

Terça-feira, Dezembro 08, 2009

um fruto de Outono e um poema para qualquer Estação


(...)
De nenhum fruto queiras só metade.

E, nunca saciado,
Vai colhendo
Ilusões sucessivas no pomar
E vendo
Acordado,
O logro da aventura.
És homem, não te esqueças!
Só é tua a loucura
Onde, com lucidez, te reconheças.

excerto de Sísifo, de Miguel Torga, in Diário XIII

Quarta-feira, Dezembro 02, 2009

Coisas que derretem o coração de qualquer um (sobretudo o de uma tia babada)

Ao telefone:
- Então, a passear com a mãe, hein?
- Sim ...
( e depois, com um tom doce, doce, doce)
- ... mas hoje de manhã a Inês 'teve a juntar brinquedos para dar aos meninos pobres!

Segunda-feira, Novembro 23, 2009

os dias já sabem a inverno, com a chuva a morrer na vidraça e o vento a assobiar às janelas. do fundo do armário recuperam-se cobertores e as mantas de lã aos quadrados, nas quais nos enroscamos com sofreguidão. mergulhamos no sofá por horas. temos saudades do crepitar da lareira, mas somos invadidos por uma enorme preguiça e deixamo-la entregue às cinzas. bebemos o chá ainda a fervilhar, earl grey com umas notas de açúcar que adocicam a boca e o espírito. rimos juntos, enquanto lá fora o dia chora. entrelaçamos os pés, semicerramos os olhos e adormecemos ao sabor deste inverno antecipado.

Segunda-feira, Novembro 16, 2009

Streets of Philadelphia



Não estava propriamente nos planos, mas não resistimos a dar um pulo ao centro da histórica cidade de Filadéfia, mesmo sabendo que não haveria tempo para o Museu de Arte, o Museu Rodin, a Casa de Egar Allan Poe e todas as demais atracções culturais que a cidade oferece.

Ainda assim, percorremos a zona onde se concentram três importantes marcos históricos da cidade, e do país. Fomos até ao Independece Hall, visitámos o Liberty Bell e explorámos num contra-relógio o National Constitution Center.

O primeiro foi palco das mais importantes decisões da história dos EUA (onde o Congresso declarou a Independência e a Constituição foi alinhavada e aprovada), o segundo um símbolo de liberdade e de democracia, o terceiro um museu imperdível que nos dá a conhecer a história constitucional de uma das mais empolgantes democracias do mundo.


[Independence Hall]


[Liberty Bell]

[National Constitution Center]


Domingo, Novembro 15, 2009

Ontem foi noite de...

... Portugal Vs. Bósnia @ Estádio da Luz

Preterimos os Depeche Mode, o último concerto dos Delfins e o conforto do lar em noite de chuva. E lá fomos, cachecóis em riste, ver a nossa Selecção a lutar pelo lugar ao sol no Mundial. É o tudo-ou-nada e, pesadas as balanças, convencemo-nos de que o Atlântico esgotado dava conta dos Depeche, que nem gostamos tanto assim dos Delfins e que a nossa presença na Luz era bem mais profícua. Mais não seja porque ansiamos por um bom pretexto para rumar à África do Sul já no ano que vem. E assim cantámos o hino em uníssono, com a pele a arrepiar. Batemos palmas, muitas. E gritámos POR-TU-GAL com garra e paixão. Um nervoso miudinho apoderou-se de nós e só nos deixou terminada a partida. Soube a pouco, já que esperávamos meia dúzia de golos. E o único golo, ainda para mais, foi apontado por um portista, daqueles que eu não gramo mesmo nada. Quarta-feira se verá, se valeu a pena um sábado à noite dedicado ao futebol.

Quinta-feira, Novembro 12, 2009

Memórias

... ou coisas que me fazem sentir vetusta [XI]

"O Sol nasceu, como está lindo o céu / Cá vou eu, vem tu daí também / Aprender como se vai até à Rua Sésamo / Vem brincar, traz um amigo teu / E ao chegar tu vais poder também /Ensinar como se vai até à Rua Sésamo..."

Há quarenta anos nascia a Rua Sésamo, mas só há metade disso o popular programa infantil chegou à nossa estação pública. Tinha então quatro anos e nem por isso esqueci o genérico, os personagens e os actores que davam vida à versão portuguesa da Sesam Street, um fenómeno que permanece vivo na memória de tanta gente, mas também em alguns palcos, já que há 28 anos que tem uma digressão a percorrer o Mundo.

Ao longo da sua história, a Rua Sésamo já arrecadou 58 Emmys e o sucesso é mais que compreensível. Trata-se de um formato que alia animação a conteúdos educacionais, um daqueles formatos que muita falta faz nas tv's de hoje, atrevo-me a dizer. Muito nos divertimos e muito aprendemos com o Egas e o Becas, o Poupas e o Super Gualter, o Monstro das Bolachas, o Ferrão e tantos outros. Dos actores (muitos dos quais dali saltaram para a ribalta, como o caso de Alexandra Lencastre e Vítor Norte), destaco o Zé Maria da papelaria, interpretado pelo actor Fernando Gomes, com quem há uns anos me cruzava com frequência no supermercado e - era inevitável - esboçava um sorriso saudosista.

Hoje, ao recordar-me da série e ao olhar para a actual grelha de programas infanto-juvenis, só me ocorre aquela música dos Xutos: "O que foi não volta a ser. Mesmo que muito se queira"...

Terça-feira, Novembro 10, 2009

porque se há coisa que é para partilhar, é o amor


e os sorrisos, os brilhozinhos nos olhos, as gargalhadas que juntos demos, os passos que, de mãos entrelaçadas, vamos dando... e a ternura que perdura, volvidos dois anos.

Sexta-feira, Novembro 06, 2009

Recomenda-se

Avizinha-se um fim de semana (im)próprio para cinéfilos. A menos que os cinéfilos tenham sido abençoados com o dom da omnipresença. É que se no São Jorge começou hoje mesmo a 4.ª edição da Mostra de Cinema Brasileiro, lá para os lados da Linha o ponto de partida do Estoril Film Festival arrancou também hoje, e em grande!

O primeiro traz uma mão cheia de bons filmes, com destaque para os (muitos) filmes de Domingos de Oliveira, reconhecido cineasta brasileiro, e ainda para "Chega de Saudade", de Laís Bondanzky - eu não vi, mas quem viu recomenda vivamente.


Já o segundo tem primado por trazer grandes nomes da 7.ª arte ao Estoril - David Lynch em 2007, Paul Auster em 2008 -, sendo que desta feita traz - que luxo!! - Juliette Binoche (hoje), Coppola (domingo) e Cronenberg (próxima semana). Mas não só de estrelas vive este festival. Tem sobressaído sobretudo por trazer de antemão excelentes filmes - confirme-se aqui.

São duas alternativas ao cinema mainstream que vale mesma a pena aproveitar. Eu como não estou por cá e desconheço eventuais dons de omnipresença (pese embora seja inegável que sou cinéfila inveterada!), fico-me pela sugestão.

Quinta-feira, Novembro 05, 2009

Espelho meu

"Girl before a mirror", Pablo Picasso, 1932 MoMA



Concordo em absoluto e, por isso mesmo, trancrevi este excerto daqui, do espaço do Alfaiate mais sui generis de Lisboa, uma vez mais dado à máquina fotográfica do que à máquina de costura.

A propósito de mais uma daquelas fotos que espelha a beleza dos trauseuntes desta Lisboa, o Alfaiate disserta sobre aquela teoria sem pés nem cabeça de que a aparência não importa. Pese embora seja consabido que se trata de um cliché recorrente nos discursos de misses, há ainda quem insista em usá-lo, porventura para justificar um ar desleixado, a falta de sensatez, de confiança ou de bom gosto, ou talvez até a cegueira que o amor causa, já outrora alertara o poeta.

E porque eu sou, assumidamente, das que gostam de se ver ao espelho - com mais ou menos vaidade - e de esboçar um sorriso com o que vejo, estou ansiosa por devorar este livro mal lhe ponha as mãos em cima. Esta relíquia é da autoria de Maria Guedes, a fashion adviser que foi fotografada pelo Alfaiate para o texto do excerto acima transcrito e que promete ajudar muita mulher e respectivos guarda-roupas por este país fora. Receio bem que também o meu precise de ajuda, até porque "Tanta Roupa e Nada para Vestir" é pensamento que me ocorre com alguma frequência...!

Quarta-feira, Novembro 04, 2009

Fame


A mítica série que muitos olhinhos fez brilhar na década de 80 está aí na versão "grande ecrã". Corremos (oh se corremos!) as três para o cinema num fim de tarde que pedia um filme leve, levezinho, mas... decepção total, foi leve por de mais!

É certo que a sala praticamente por nossa conta deu para uns passos de dança e para umas gargalhadas sem receio de incomodar os demais, mas não fosse isso e teriam sido 108 minutos muuuuito aborrecidos. Tudo muito previsível, tudo muito teenager. Dá-me impressão de que estavamos à espera que o filme fosse a versão 'crescida' da série com que nós próprias crescemos...

O melhor ficou para o fim: o êxito de Irene Cara, que só chegou com o genérico! Não resistimos e lá descemos escadaria a dançar ao som de "I'm gonna live forever, I'm gonna learn how to fly! (...) Baby remember my name!". Valeu-nos isso.

Terça-feira, Novembro 03, 2009

USA [On the Road]


[Patriotismo sobre rodas]

[Lost Highway]

[no GAS]
[Stage Stop]

[Welcome!]



[Sunset]

[You've got mail!]

[... and so does everybody else!]

[ News from desert]